segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

'Tudo indica que o motorista dormiu', diz delegado sobre acidente na Régis

Acidente matou 14 pessoas na madrugada deste domingo na Grande SP.
Motorista será indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar.

Giovana Sanchez e Kleber Tomaz* Do G1 São Paulo
 
O delegado Renato Gonçalves Coletes disse na tarde deste domingo (22) que a hipótese mais provável para o acidente que matou 14 pessoas e deixou 32 feridos na Rodovia Régis Bittencourt é que o motorista tenha dormido na direção do ônibus. “Tudo indica que o motorista dormiu ao volante”, afirmou. O condutor será indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal culposa. 
O veículo de dois andares levava 54 pessoas (lotação máxima de 51 passageiros, duas crianças, mais o motorista). Deixou Curitiba (PR) às 20h15 deste sábado (21) em direção ao Rio de Janeiro (RJ). De acordo com a PRF, o acidente ocorreu por volta das 2h30 na altura do km 300 da Régis Bittencourt, no sentido São Paulo, na altura de São Lourenço da Serra. O ônibus da Viação Nossa Senhora da Penha saiu da pista, caiu numa ribanceira de aproximadamente dez metros de altura e tombou ao bater no solo.
O caso foi registrado na Delegacia Central de Itapecerica da Serra, mas será investigado pela delegacia de São Lourenço da Serra. O motorista prestou depoimento, realizou o teste do bafômetro, que não detectou presença de álcool no sangue, e foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para o exame toxicológico, que irá analisar se ele dirigia sob efeito de alguma substância. Depois, deve ser liberado para responder ao processo em liberdade.
O delegado disse que não há sinais de frenagem ou de óleo na pista, o que reforça a ideia de que o motorista "apagou". "Pelo que o motorista falou, tudo compreende que ele apagou. Quando indaguei o que se lembra do acidente, disse que só se lembra de quando estava com o ônibus dentro do mato”, afirmou.
Coletes entende que ocorreu “uma fatalidade”. Ele ressaltou que o motorista trabalha há 24 anos na mesma rota, há seis anos na mesma empresa, e nunca havia se envolvido em acidentes com mortes antes.
O inspetor Ricardo de Paula, da PRF, disse que não são comuns acidentes nessa curva porque o trecho é conservado e bem sinalizado. Ele reafirmou que as investigações trabalham com três hipóteses: o motorista ter dormido, sofrido um mal súbito ou uma pane mecânica no veículo.
Carros de funerária deixam delegacia em direção ao IML de SP (Foto: Kleber Tomaz/G1)Carros de funerária deixam delegacia em direção
ao IML de São Paulo (Foto: Kleber Tomaz/G1)
O motorista contou à polícia que viajou de Guarulhos para Curitiba na madrugada de sábado (21), chegou ao destino por volta das 7h e dormiu até a viagem da noite. Ele deixou Curitiba às 20h15, parou em Registro, onde tomou um café, e seguia até Guarulhos quando ocorreu o acidente. No município da Grande São Paulo, seria rendido por outro motorista, que conduziria o ônibus até o Rio de Janeiro.
Os corpos das vítimas foram levados nesta tarde para o IML Central de São Paulo, na Zona Oeste da capital paulista, porque o IML de Taboão da Serra não tem gavetas suficientes.
Empresa
A viação, que tem sede em Curitiba, atua em linhas interestaduais para Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O advogado da empresa, Marcelo Munhoz, esteve no local do acidente e disse que a viação irá prestar toda assistência para as famílias.

A passageira Elizabeth Souza Lima estava feliz porque localizou a bolsa e conseguiu avisar os filhos que estava bem. Ela contou à Globo News como aconteceu o acidente. “Eu estava dormindo, provavelmente acordei com o baque. É como se ele tivesse batido em algum lugar e depois começado a rolar. Depois soubemos que ele bateu em uma placa na estrada. E começou a virar cambalhota. O que eu pensava era: quando isso vai parar de rodar?”, disse.
Mapa acidente Rodovia Régis Bittencourt - v2 (Foto: Arte/G1)
Os passageiros que estavam no ônibus e ficaram feridos foram levados para três hospitais da região: Pronto-Socorro Municipal de Itapecerica da Serra, Hospital Geral de Itapecerica da Serra e Hospital Geral de Pirajussara, em Taboão da Serra.
Hospital Geral de Itapecerica da Serra
Procurada pelo G1, a Secretaria de Estado da Saúde informou que, no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, 12 pessoas foram socorridas, mas uma delas, uma mulher de 58 anos, morreu na unidade médica.

acidente ônibus régis bittencourt (Foto: Giovana Sanchez/G1)Corpos no local do acidente na Rodovia Régis
Bittencourt, em SP (Foto: Giovana Sanchez/G1)
Outra mulher, de 28 anos está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter sido operada para colocação de “fixador externo”. Seu estado de saúde é instável. As outras dez pessoas estão estáveis: uma mulher de 39 anos (fraturou o ombro), uma adolescente de 14 anos (escoriações e hematomas no braço direito), e oito pessoas do sexo masculino, sendo um bebê de 1 ano, que está em observação, um adolescente de 15 anos (ferido no rosto), e seis homens com idades entre 18 e 53 anos, que tiveram fraturas nas mãos e pernas.
PS Municipal de Itapecerica da Serra
Procurado, o Pronto-Socorro Municipal de Itapecerica da Serra não havia dado informações sobre o número e estado de saúde dos feridos até as 10h20.

Hospital Geral de Pirajussara
Ainda segundo a Secretaria de Estado da Saúde, seis feridos foram levados para o Hospital Geral de Pirajussara, em Taboão da Serra: cinco mulheres e um homem.

A mais grave é a uma mulher que sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. Os médicos conseguiram reanimá-la, e a passageira passou por uma cirurgia nesta manhã. Outra mulher teve um trauma abdominal e precisou retirar o baço.
Outra vítima sofreu fratura no ombro direito e deve passar por cirurgia. A quinta passageira teve diversas fraturas nos membros superiores e inferiores e aguardava avaliação para saber se passará por cirurgia. O único homem atendido teve fratura de coluna.
Confira a íntegra da nota da empresa sobre o acidente:
"A Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha S/A, profundamente comovida, cumpre com o dever de informar que ocorreu um acidente com o ônibus nº 6002, que partiu no dia 21/12/2013, as 20:15 horas de Curitiba, com destino a cidade do Rio de Janeiro.
De acordo com as informações apuradas, o acidente ocorreu por volta das 02:00 horas do dia 22/12/2013, na BR 116, nas proximidades do Município de Itapecerica da Serra/SP. Os feridos foram encaminhados ao Hospital Geral de Itapecerica da Serra/SP (11-4668-8988), Hospital Geral de Pirajussara/SP (11-3583-9400) e Pronto Socorro de Embu das Artes/SP (11-4785-0154).
Passageiros sem ferimentos foram conduzidos aos seus respectivos destinos. Maiores informações serão prestadas no decorrer do dia, assim que disponíveis. Os familiares dos passageiros dispõem do seguinte telefone gratuito para obter informações adicionais: 0800-646-2122.
A empresa, desde já, solidariza-se com os familiares e amigos das vítimas."
(*Colaborou G1 PR)
acidente ônibus régis bittencourt (Foto: Nelson Antoine/FotoArena/Estadão Conteúdo)Veículo caiu em ribanceira na Rodovia Régis Bittencourt (Foto: Nelson Antoine/FotoArena/Estadão Conteúdo)
acidente ônibus régis bittencourt (Foto: Nelson Antoine/FotoArena/Estadão Conteúdo)Equipes recolhem malas das vítimas no local (Foto: Nelson Antoine/FotoArena/Estadão Conteúdo)



domingo, 22 de dezembro de 2013

Grave acidente com ônibus deixa mortos e feridos na Régis Bittencourt
Coletivo que seguia ao Rio de Janeiro tombou e caiu em ribanceira com 51 pessoas; ao menos 10 foram mortos
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  • quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


    PRF reforça fiscalização nos 100 trechos mais perigosos das estradas federais

    19/12/2013 - 19h10
    Aline Valcarenghi
    Repórter da Agência Brasil

    Brasília – O governo lançou hoje (19) a terceira edição da Operação Rodovida que visa a reduzir acidentes graves nas rodovias durante as festas de fim de ano, férias e o carnaval. A operação ocorrerá nos 100 trechos apontados como os mais perigosos das rodovias federais do país, conforme levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
    Entre eles, estão trechos da Rodovia Litoral Sul, em Santa Catarina; da Fernão Dias, em Minas Gerais; e da Novadutra, em São Paulo. Cada trecho equivale a 10 quilômetros. A lista completa está disponível no site do Ministério da Justiça.
    Segundo os dados, o trecho mais perigoso do país fica entre o quilômetro 200 e o quilômetro 210 da Litoral Sul (BR-101), em Santa Catarina, onde foram registrados 1.049 acidentes, com 516 feridos e 13 mortos em 2013. O Brasil tem cerca de 50 mil quilômetros de estradas federais.
    De acordo com o coordenador-geral substituto da PRF, Stênio Pires, este ano, mais de 26% dos acidentes, 19,4% dos acidentes com feridos e 9,6% dos acidentes com mortes em rodovias federais ocorreram nos 100 trechos mais perigosos. "Nas rodovias federais, a gravidade dos acidentes está intimamente relacionada ao excesso de velocidade", disse.
    A PRF prevê mais de 1.130 ações de fiscalização, nas quais serão usados 920 novos veículos e mais 130 radares móveis. A fiscalização vai verificar a condução dos motociclistas, alta velocidade, ultrapassagem e consumo de bebida alcoólica. Os agentes também irão trabalhar em vias que dão acesso aos trechos perigosos. A operação ocorrerá de 19 de dezembro a 31 de dezembro 2013 e será retomada de 21 de fevereiro a 9 de março de 2014.
    Desde o início da Rodovida, houve queda de 24,5% na taxa de mortes nas estradas por milhão de veículos, apesar do aumento de 17,5% da frota.
    A operação inclui a campanha Resgate, que este ano traz imagens de um resgate de um acidente real em uma rodovia mineira devido à uma ultrapassagem inadevida. A ideia é conscientizar os motoristas sobre dirigir com cuidado. "Nós só vamos conseguir chegar a patamares elevados de redução [de acidentes] quando elevarmos o nível de conscientização das pessoas", avaliou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Para o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, esta é uma forma de provocar a população e mostrar que o tema é sério.
    Além da PRF, participam da operação os departamentos de trânsito estaduais e as polícias militares.
     
    Edição: Carolina Pimentel
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