terça-feira, 27 de outubro de 2009

Aeronáutica diz que 8 fatores causaram acidente da TAM

São Paulo - O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que oito fatores contribuíram de maneira decisiva para a tragédia com o voo 3054 da TAM, que deixou 199 mortos, em 17 de julho de 2007. O relatório final sobre o maior acidente aéreo do País, a que o Estado teve acesso, diz que os peritos não encontraram evidências de falha nas engrenagens dos manetes (aceleradores). Como o equipamento se encontrava muito destruído pelo fogo e pelo impacto da queda, não foi possível determinar com 100% de certeza em que posição as alavancas de potência estavam no momento em que o Airbus A320 varou a pista do Aeroporto de Congonhas.

O relatório ainda não foi oficialmente divulgado. O Setor de Comunicação Social da Aeronáutica informou que o texto está em fase final de elaboração e deve ser concluído este ano. Ocorre hoje, em Brasília, a última reunião da comissão de investigação do acidente, com a participação de peritos norte-americanos e franceses que auxiliaram na apuração.

Como o único indicativo de que os pilotos deixaram os manetes fora da posição recomendada - um na posição de aceleração e a outro em frenagem - veio da caixa-preta, o Cenipa resolveu estudar as duas hipóteses mais prováveis: falha no sistema de controle de potência do jato, que teria transmitido ao motor informação diferente da que indicava o manete, ou um erro dos pilotos Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco. A segunda hipótese, diz o Cenipa, é a mais provável, "uma vez que é elevada a improbabilidade estatística de falha no sistema de acionamento" dos manetes.

Para tentar entender o que se passou nos instantes finais do voo 3054, peritos realizaram em simulador 23 procedimentos de aproximação para pouso em Congonhas. "A repetição das ações dos pilotos, da forma como foram registradas pelo FDR (gravador de dados), levou ao mesmo resultado do acidente, até mesmo quanto às posições e velocidades com as quais a aeronave saiu da pista e colidiu com as edificações", diz a página 48.

Falhas

As simulações revelaram um dado preocupante: nem sempre o aviso sonoro "retard", que tem a função de advertir os pilotos sobre os procedimentos a serem adotados no momento do pouso, operou conforme o previsto. A investigação da Aeronáutica também encontrou diversas irregularidades em Congonhas na época do acidente, como, por exemplo, o fato de que não foi realizada inspeção aeroportuária especial durante nenhuma das obras realizadas no aeroporto e concluídas em 2007. Outro fato registrado é que Congonhas não dispunha de aérea de escape.

O relatório aponta ainda falhas no treinamento e instrução fornecidos pela TAM. Segundo o Cenipa, a formação teórica dos pilotos usava apenas cursos interativos em computador, "o que permitia a formação massiva, mas não garantia a qualidade da instrução recebida". Além disso, a formação de Stefanini, o copiloto, contemplou apenas um tipo de certificação, o que se mostrou insuficiente para enfrentar aquela situação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Cinto de segurança completa 50 anos



Uol

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ministério da Saúde atribui queda de 23% em acidentes de trânsito à lei seca

Do UOL Notícias
Em São Paulo
O número de internações provocadas por acidentes de trânsito nas capitais brasileiras reduziu de 105.904, no segundo semestre de 2007, para 81.359, no segundo semestre de 2008. O Ministério da Saúde, que divulgou os dados nesta manhã (17), atribui a queda à lei seca, que entrou em vigor em junho do ano passado.

Ao todo, foram 24.545 hospitalizações a menos, uma queda de 23% nos atendimentos às vítimas do trânsito financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já entre o primeiro e o segundo semestre de 2008, houve redução de 3.325 internações por acidentes de trânsito, uma queda de 4%.

As mortes relacionadas a acidentes de trânsito também diminuíram. No segundo semestre de 2008, foram registrados 2.723 óbitos, uma redução de 22,5% com relação aos 3.519 óbitos registrados no segundo semestre de 2007.

"A redução do número de óbitos e internações em conseqüência provocadas pelo trânsito mostra que a lei vem protegendo a vida. Medidas legislativas como o Código de Trânsito Brasileiro e a Lei Seca têm sido muito importantes para a prevenção dos acidentes de transporte terrestre, com conseqüente diminuição da morbimortalidade por essas causas", afirma, em nota divulgada, a coordenadora da área de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta.

A análise levou em consideração apenas as informações das capitais brasileiras. As cidades que registraram reduções tanto de internações quanto nos óbitos foram São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Recife. Já Belo Horizonte, Belém e Teresina registram aumento.

Internações por acidentes de trânsito por região, 2007 e 2008

*

Fonte: Ministério da Saúde


UOL Celular

sábado, 13 de junho de 2009

Destroços são compatíveis com desintegração

São Paulo - Entre os 37 destroços do voo 447 encontrados pela Marinha no Oceano Atlântico, e apresentados pela primeira vez ontem, há peças praticamente intactas, como uma maleta laranja operacional, poltronas da tripulação e máscaras de oxigênio. Para o consultor e engenheiro aeronáutico americano Robert Ditchey, aliados ao estabilizador já recolhido, eles apontam para a "forte conclusão" de que o A330 se desintegrou no ar. "Não há nenhuma evidência de fogo ou explosão. Há mais chances de o avião ter se partido no ar."

As imagens dos destroços corroboram a reportagem do Estado de ontem, que mostrou que nas necropsias não foram detectadas queimaduras nos corpos - peritos acreditam que as mortes tenham sido provocadas por politraumatismo ocasionado pelo choque com a água em alta velocidade. O brigadeiro Ramon Borges, diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), confirmou haver "possibilidades técnicas" de uma aeronave desintegrar-se parcialmente no ar.

"Se não há nada queimado e se os corpos encontrados representarem uma boa amostragem dos diferentes assentos, podemos, sim, eliminar a hipótese de uma explosão no ar", diz o especialista em aviação Respício do Espírito Santo, do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (Cepta). Mais cauteloso, o diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), comandante Ronaldo Jenkins, prefere esperar o encontro do "corpo" do avião para falar da desintegração, mas admite que não há indícios de explosão.

"Existe um número pequeno de explicações possíveis para o avião partir em pleno voo e uma dessas explicações é quando se tem uma perda de controle que leva a uma sobrecarga estrutural - quando as forças encontradas pelo avião são maiores do que o desenho do avião permite", observa Ditchey. Fotos do estabilizador vertical (peça ao qual está acoplado o leme) sugerem até agora que ela tenha sido arrancada. Uma possibilidade para isso ocorrer é quando o avião atinge velocidade superior à suportada pela estrutura - quando isso ocorre, fissuras na fuselagem aparecem, transformam-se em buracos, despressurizam o avião e acabam por fazê-lo partir. Isso pode ter ocorrido, por exemplo, caso o piloto receba uma leitura errada da velocidade dos pitots e acelere. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

UOL Celular

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Submarino nuclear francês se incorpora a busca por caixas-pretas

Em Paris

O submarino nuclear francês "Emeraude" se incorpora hoje aos trabalhos de busca das caixas-pretas do avião da Air France que caiu no Atlântico no último dia 31 quando cobria o trajeto entre Rio de Janeiro e Paris.

NUVENS CONGELADAS

Satélite da Eumetsat revelou que o Airbus da Air France que caiu no mar com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio cruzou uma tempestade de nuvens aglomeradas a uma temperatura de 83°C negativos.

O porta-voz do Estado-Maior do Exército francês, Christophe Prazuck, indicou hoje que o "Emeraude" chegou à região dos destroços do avião, e que inicialmente vai a se concentrar em uma área de 20 milhas náuticas quadradas (36 quilômetros quadrados).

Segundo o programa previsto, a cada dia realizará uma investigação em uma área diferente para tentar encontrar as caixas-pretas, que emitem sinais durante um período de um mês que podem ser detectados a uma distância de um quilômetro.

Prazuck explicou que esta tarde também deve chegar à região das buscas o navio francês "Mistral", especializado em missões anfíbias.

O envio do submarino nuclear francês foi decidido por sua capacidade para escutar sinais no fundo do mar.



GRÁFICO DA FAB MOSTRA DISTÂNCIAS NO TRANSPORTE DOS CORPOS

* FAB/Divulgação

Acidente com o voo AF 447: perguntas e respostas

Fabrícia Peixoto
da BBC Brasil, em Brasília

Navios e aeronaves do Brasil e da França continuam as buscas por destroços e vítimas do acidente com o voo AF 447 da Air France, que caiu no último dia 31 de maio no oceano Atlântico enquanto seguia do Rio de Janeiro para Paris.

Segundo a companhia aérea, 228 pessoas de 32 nacionalidades estavam a bordo do avião no momento do acidente, sendo que 58 eram brasileiros. Os primeiros corpos de vítimas foram resgatados do mar no último final de semana e destroços da aeronave também estão sendo recolhidos pelas autoridades.

Além disso, também foram recuperados do mar objetos pessoais das vítimas, como computadores e mochilas, que também serão analisados.

Apesar de as buscas estarem sendo coordenadas pelas autoridades brasileiras, as investigações sobre as causas do acidente serão feitas por autoridades francesas, como determina a Convenção de Aviação Civil Internacional.

Confira abaixo algumas questões sobre o acidente com o Airbus da Air France.

Como estão sendo feitas as buscas?
Segundo os Comandos da Marinha e da Aeronáutica do Brasil, as buscas estão concentradas nos locais onde foram encontrados os corpos.

Atualmente, os trabalhos de localização de corpos e destroços já estão sendo feitos a cerca de 1.350 km de Recife, uma distância maior do que a de São Paulo a Porto Alegre. Correntes marítimas e fenômenos meteorológicos dificultam os trabalhos das equipes.

No total, cinco embarcações da Marinha brasileira e uma fragata francesa participam dos trabalhos de buscas, assim como 12 aeronaves brasileiras e duas francesas.

O governo francês solicitou autorização para que dois rebocadores de alto mar entrassem em águas brasileiras. Estas embarcações devem chegar ao local nos dias 12 e 18 de junho para auxiliar nas buscas por destroços.

Além destas embarcações, o submarino nuclear francês Émeraude, o navio de pesquisa Porquoi Pas e o navio anfíbio Mistral também já estão a caminho das áreas de buscas.

Segundo o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, brigadeiro Ramon Cardoso, a prioridade das equipes é a localização de corpos.

Os destroços que estão sendo recolhidos devem ser levados em um momento ainda não determinado para Recife, para serem entregues às autoridades francesas, que farão as investigações do acidente.

Devido às correntes marítimas, alguns dos corpos estão sendo levados para o norte da área onde se presume que aconteceu o acidente. Por este motivo, a área de buscas foi ampliada pelas autoridades.

De acordo com os militares brasileiros, buscas devem começar a ser feitas também em águas que pertencem ao Senegal.

O que está sendo feito com os corpos encontrados?
Até a noite desta terça-feira, as autoridades brasileiras confirmaram terem encontrado 41 corpos de vítimas do acidente. Os cadáveres são encaminhados para uma base instalada no arquipélago de Fernando de Noronha, onde são submetidos a análises preliminares pela Polícia Federal.

Depois disso, eles serão encaminhados de avião para Recife, onde passarão pelo processo de identificação no IML (Instituto Médico Legal).

Os primeiros corpos encontrados devem chegar a Recife ainda nesta quarta-feira. Todos os corpos que forem localizados, independente da nacionalidade da vítima, serão levados primeiramente para a capital pernambucana para identificação.

Não foi informado qual o estado dos corpos que foram encontrados.

É possível encontrar sobreviventes?
Embora esta possibilidade não tenha sido desconsiderada oficialmente, as autoridades brasileiras têm frisado nos últimos dias que as buscas estão concentradas na localização de "corpos".

O presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, também pediu que as famílias "não tenham esperança" em encontrar sobreviventes.

O tempo transcorrido desde o acidente torna a existência de sobreviventes cada vez mais improvável.

Havia tempestades naquela região no momento do acidente?
Sim. Nessa época do ano, é comum a formação de tempestades na área, conhecida como Zona de Convergência Intertropical.

Imagens de satélite mostram uma intensa atividade climática ao norte de Fernando de Noronha na noite de 31 de maio, com até 18 quilômetros. Nessa altitude, é comum a formação de gelo (granizos), em vez de chuva.

Aeronaves como o Airbus podem "perceber" uma tempestade com até 30 minutos de antecedência. Mas, segundo especialistas, o equipamento identifica a água ou vapor, e não o gelo. Por isso, é possível que os pilotos não tenham tido tempo de desviar da tempestade.

Essa pode ser a principal causa do acidente?
A tempestade é um fator importante e está sendo considerada pelos investigadores. No entanto, especialistas afirmam que um avião do porte do Airbus dificilmente cai em função de uma tempestade, ainda que seja atingido por um raio.

De acordo com a Aviation Safety Network, desde 1973 apenas 73 acidentes tiveram suas causas ligadas a fortes turbulências.

O ideal, segundo pilotos, é tentar escapar da área de tempestade. Para isso, podem fazer desvios, mudar a velocidade ou a altitude da aeronave.

As autoridades francesas admitiram que as causas do acidente "possivelmente" nunca serão conhecidas. A localização das caixas-pretas é muito difícil em função da profundidade do mar.
Que outras possíveis causas já foram levantadas?
Além da forte tempestade, diversos outros fatores e possibilidades estão sendo considerados. Uma delas é de que a pane elétrica tenha sido causada por uma falha na aeronave.

O mesmo modelo de aeronave, operado por outra companhia, sofreu duas panes elétricas recentemente.

Houve questionamento sobre a possibilidade de eventuais falhas nos sensores de velocidade da aeronave terem causado o acidente. A Air France anunciou que irá "acelerar o programa de troca dos sensores de sua frota de A330 e A340".

As informações seguem desencontradas. Um piloto da companhia aérea Air Comet, que fazia a mesma rota naquela noite, afirmou ter visto um "clarão forte e intenso" caindo sobre o mar.

Os pilotos informaram algum tipo de problema durante o voo?
Não. Segundo o Comando da Aeronáutica, não há registro de mensagens de alerta entre os pilotos e o controle de tráfego aéreo brasileiro. A comunicação seguia normal e, inclusive, houve um contato às 22h33, por rádio, com o Centro de Controle (Cindacta 3).

No entanto, às 23h20, a aeronave deveria fazer mais um contato, o que não aconteceu. Pouco antes, às 23h10, o avião começou a enviar uma série de mensagens automáticas à companhia aérea, segundo a revista especializada Aviation Herald. Os sinais indicavam pane elétrica e despressurização.

Áreas muito distantes das costas em geral não são cobertas por radar. Mas os pilotos podem fazer a comunicação por rádio. Há ainda uma outra possibilidade, que é a transmissão de um sinal para outras aeronaves que estejam trafegando pela região.

No entanto, nenhuma das duas possibilidades foi utilizada pelos pilotos, o que pode sugerir, por exemplo, que os pilotos não tiveram tempo ou que algo não funcionou.

Quais as chances de se encontrar a caixa-preta?
A caixa-preta armazena informações que podem decifrar o mistério do acidente, como por exemplo, as conversas na cabine de comando.

As autoridades francesas, no entanto, disseram ser "quase impossível" encontrá-la, em função da profundidade do mar, da extensão da região e da irregularidade do terreno.

O governo francês enviou dois minissubmarinos científicos à região, que são especializados nesse tipo de busca. O Brasil não dispõe do equipamento.

Sem a caixa-preta, a investigação sobre as causas pode durar anos e, ainda assim, não ser conclusiva.

As caixas-pretas têm um mecanismo que emite sinais de localização mesmo a 4,3 mil metros abaixo da superfície da água. Não se sabe, porém, se a caixa-preta --mesmo que encontrada-- sobreviverá à pressão das profundezas.

A esperança é de que os destroços encontrados possam ajudar a explicar o acidente, caso a caixa-preta não seja localizada.

Colaborou a redação da BBC Brasil em São Paulo